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A Baobá nasceu muito antes de existir como empresa.
Nasceu durante uma viagem que mudou a minha vida.
Em 2013, eu morava no Rio de Janeiro e trabalhava com turismo quando decidi viajar pelo mundo. O que começou como uma viagem de mochila acabou se transformando em quase três anos e meio vivendo na estrada, em um carro-casa.
Foi uma viagem para conhecer o mundo, mas também foi uma viagem para dentro de mim. Eu já era vegetariana e estava vivendo um processo de autoconhecimento. Na Índia, passei um mês em um Ashram, uma experiência que foi um verdadeiro divisor de águas para mim. Comecei a olhar com mais atenção para a maneira como eu vivia, para o que eu comia e para as escolhas que fazia.
E comecei a me perguntar também: se eu me preocupo tanto com aquilo que coloco dentro do meu corpo, por que não deveria ter o mesmo cuidado com aquilo que coloco sobre ele?
Passei a ler rótulos, pesquisar ingredientes e olhar para os cosméticos de uma outra maneira.
Em Bali, tive um contato mais profundo com os óleos essenciais e com o universo da cosmética natural. Mas foi na África que algo realmente aconteceu.
Na Suazilândia, experimentei uma manteiga corporal que me encantou. Fiquei tão interessada que procurei a dona da marca (a querida Gretchen) e perguntei se poderia conhecer o processo de produção. Ela me recebeu em sua casa e me ensinou a fazer a manteiga.
Eu me lembro muito daquele momento. Foi como se eu tivesse encontrado alguma coisa que já fazia parte de mim. Fiquei completamente apaixonada pela possibilidade de criar meus próprios cosméticos. Passei dois dias praticamente sem dormir, pensando naquilo.
Foi ali que eu tive certeza de que queria trabalhar com cosmética natural. E foi ali, na África, que nasceu a Baobá.
Quando voltei para o Brasil, em 2016, eu já sabia que queria transformar aquela ideia em realidade. Comecei a estudar, fazer cursos, pesquisar ingredientes, fornecedores e formulações.
Minha primeira manteiga corporal foi aquela que eu havia aprendido a fazer na África, mas precisei adaptá-la ao clima brasileiro. Depois vieram os sabonetes e o bálsamo labial.
Tudo começou dentro da minha casa em Holambra, transformei um quarto em um pequeno ateliê e comecei a produzir sozinha, em pequenos lotes. Levei o primeiro lote para a minha cidade natal em Minas Gerais, para apresentar para familiares e amigos e não esperava que as pessoas fossem gostar tanto.
As vendas começaram a acontecer e, pouco a pouco, a Baobá foi crescendo. Primeiro, saí de casa e montei um espaço maior. Depois, um ateliê no centro de Holambra, onde as pessoas podiam conhecer a produção e comprar os produtos. Vieram o Instagram, o site e, com a pandemia, a Baobá chegou a muito mais pessoas.
Mas crescer também trouxe desafios. Em determinado momento, precisei interromper a produção artesanal porque percebi que, para continuar crescendo, precisava estruturar a empresa de outra maneira.
Passei alguns anos terceirizando a produção. Foi uma experiência difícil e, principalmente, me mostrou o quanto eu queria ter novamente o controle sobre aquilo que sempre foi tão importante para mim: a qualidade dos produtos e a forma como eles eram feitos.
Foi então que tomei uma das decisões mais importantes da história da Baobá: construir a nossa própria fábrica.
Em outubro de 2023, aluguei o espaço e começamos esse projeto. Eu não imaginava o quanto seria complexo.
Foram quase dois anos entre projetos, planta, adequações, processos regulatórios, obras, mudanças e muitas tentativas até conseguirmos colocar tudo de pé. Em julho de 2025, finalmente entramos na nossa fábrica.
Foi um daqueles momentos em que eu parei para olhar para trás e pensar em tudo o que tinha acontecido desde aquele pequeno quarto em Holambra.
Hoje, a Baobá continua sendo artesanal e feita por mulheres. Continuamos produzindo em pequenos lotes e cuidando de cada etapa do processo, mas agora fazemos isso dentro de uma estrutura profissional e regulamentada.
E isso, para mim, representa muito mais do que uma conquista empresarial.
Representa a possibilidade de continuar fazendo cosméticos da maneira em que acredito.
Com ingredientes escolhidos com cuidado. Com qualidade. Com sensorialidade. Com transparência. Com respeito às pessoas e ao meio ambiente.
Porque a Baobá nunca foi apenas sobre sabonetes, cremes ou cosméticos naturais. Para mim, ela sempre foi sobre uma maneira de viver.
Eu acredito que cuidar da pele também pode ser uma forma de cuidar de si. Que um banho pode ser um momento de pausa. Que um aroma pode trazer uma sensação boa. Que aquilo que escolhemos consumir diz muito sobre o mundo que queremos construir.
Também acredito que a beleza não precisa ser sobre corrigir aquilo que somos. A pele não precisa ser transformada para ser bonita. Ela precisa ser cuidada, nutrida e respeitada.
É por isso que a Baobá existe.
Para criar produtos que façam sentido para mim e que eu tenha prazer em usar e oferecer. Produtos que unam aquilo que considero essencial: qualidade, beleza, sensorialidade, naturalidade e cuidado.
Foi assim que a marca nasceu.
E é assim que eu quero que ela continue crescendo: sem perder o cuidado, a verdade e a essência que fizeram tudo começar.
Obrigada por estar aqui e por fazer parte dessa história.
Com carinho,
Isabela
